Trending

7, dez 2020 . 5 min read

Hackathons: uma carta de amor ao evento que celebra criatividade e colaboração

Hackathons: uma carta de amor ao evento que celebra criatividade e colaboração

by Rodrigo Kashiwakura

5 min read

Rodrigo Chen, Engenheiro de Software na Wildlife, conta os prazeres e perrengues das Hackathons – e os motivos da maratona ser tão querida.


 

Pode parecer uma ideia maluca juntar um pequeno grupo de pessoas por quatro dias com nada além de uma meta ousada: criar, do zero, o melhor jogo do mundo. Mas é exatamente isso que acontece em uma Hackathon na Wildlife, e, acredite, dá certo.

Esses eventos, tradicionais por aqui, são verdadeiras maratonas criativas que envolvem muito aprendizado, desenvolvimento de projetos, programação, correções de bugs, planejamento de negócios e, claro, muitas xícaras de café.

Em uma Hackathon, além de se conectar com pessoas incrivelmente motivadas, você desbloqueia habilidades que nem sabia que tinha, seja ao desenvolver rapidamente uma parte técnica do jogo ou ao conceber um gameplay divertido com um personagem inédito e carismático.

Esses poucos e intensos dias de dedicação a um projeto novo permitem que você se envolva com todas as áreas necessárias para a criação de um jogo de sucesso. No fim, essa experiência torna você um profissional melhor, e isso não tem preço.

Logo que entrei na Wildlife, em 2018, liderei algumas Hackathons. Em um ano e meio, participei da organização de oito, e a evolução do processo criativo foi notável.

Um breve exemplo para ilustrar: os jogos multiplayer, que antes eram raros, agora são mais numerosos. Esse tipo de game é desafiador porque precisa ser otimizado para performance sem perder o foco na experiência do usuário. É preciso descobrir quantos jogadores podem ser virtualmente alocados em um servidor ao mesmo tempo sem sacrificar a usabilidade.

É um ajuste fino e complexo para ser feito em pouco tempo. Mesmo assim, esse tipo de criação tem se tornado mais comum nas Hackathons da Wildlife, o que mostra como a troca de conhecimento na companhia é um ativo valioso.

AS MINHAS PRIMEIRAS AVENTURAS NA MARATONA

Em uma das primeiras edições das quais participei, me dei conta de que havia um sério risco de desclassificação por causa de um problema com a build (a construção da aplicação) do jogo. Ele simplesmente não entraria no ar mesmo depois de tudo que já havia sido feito. Foi quando decidi virar a noite para deixar o jogo nos conformes.

Às cinco da manhã do dia seguinte, deu certo e finalmente pude respirar aliviado. E muito se engana quem pensa que uma Hackathon só acaba quando termina o desenvolvimento do jogo. Depois disso, ainda é preciso lidar com o vai-e-vem de documentação para a publicação de jogos nas lojas de aplicativos para celular.

Assim como é comum encontrar um bug em um game novo, é comum haver rejeições de documentos devido a erros que precisam ser corrigidos. É só depois de muito trabalho que um jogo é publicado e pode, enfim, chegar às pessoas de todo o mundo com apenas um simples download.

Apesar dos perrengues (e acho que por conta deles), as Hackathons ensinam muito.

Uma das lições mais valiosas que aprendi ao longo de tantas edições é que não basta um jogo ser tecnicamente bom para tornar-se um sucesso.

Se você não divulgá-lo para as pessoas certas, o jogo não será jogado como planejado. Na prática, a A situação é outra, e isso fica muito claro quando você precisa criar um projeto do zero em apenas quatro dias.

TODO MUNDO ASSUMINDO A MESMA MISSÃO: DIVERTIR PESSOAS

Outro aspecto muito importante que me faz amar as nossas Hackathons é a forma como elas unem as pessoas. Quando você trabalha junto a um novo grupo de colegas, o relacionamento se intensifica muito rapidamente. Não à toa tantas empresas surgem em Hackathons.

Além de proporcionar às pessoas uma visão de desenvolvimento e negócios completa, esse tipo de evento cria uma forte ligação mesmo entre quem nem sequer se conhecia antes. Não consigo me lembrar de outra ocasião que una as pessoas tão rapidamente.

Ainda assim, se me perguntarem “Chen, o que te motiva a participar de Hackathons?”, a resposta para mim é uma só: a oportunidade de aprendizado intenso. A sede de aprendizado me motivou durante a vida toda.

O que uma Hackathon ensina nem sempre se aprende em um curso, especialmente em um período de tempo tão curto. Meu objetivo de vida é aprender o máximo possível, seja por meio da leitura ou da experiência. E o aprendizado só se concretiza quando colocamos nossos conhecimentos em prática e os compartilhamos com a equipe em prol de um objetivo maior, como o desafio de criar um mínimo produto viável de games em 96 horas.

Tem emoção, perrengue e correria? Claro que sim. Mas, para mim, é muito bonito ver o produto que nasce em poucos dias graças a um grupo de pessoas que se unem em prol de um mesmo objetivo. Não só aprendemos muito nesses eventos, mas também utilizamos o nosso conhecimento de forma intensa.


Então cá está a minha carta de amor às nossas Hackathons, que atualmente está na sua 23a edição – a terceira em modo de trabalho remoto. Um brinde ao evento que traduz os valores da Wildlife e faz com que verdadeiros estranhos construam amizades para a vida toda!

 

Leia mais:
Hackathon remoto? Nós descobrimos que é possível e tão produtivo quanto a versão ao vivo


Share