Wilders

12, jan 2021 .

Eu sonhava em morar fora e trabalhar em tecnologia – e deu tudo certo

Eu sonhava em morar fora e trabalhar em tecnologia – e deu tudo certo

by Juliana Protásio

8 min read

Conheça a trajetória de Sue Mendes, que transformou horas de estudo em uma conquista profissional em um novo país.

 

Mudar de país, recomeçar e ir ainda mais longe fazendo aquilo que gosta. Isso é um resumo que não faz jus à rica trajetória de Suellen Mendes – carinhosamente chamada de Sue –, que há quase 3 anos faz parte do time de Player Support da Wildlife.

Há cerca de um ano no escritório da Irlanda, sua história é resultado de um esforço constante, somado ao apoio de um time interessado em ver as pessoas alcançarem seu máximo potencial e propósito.

O aprendizado autodidata e o interesse por tecnologia sempre fizeram parte da vida de Suellen. “Meu pai sempre foi louco por tecnologia, assim que pôde, comprou um computador. Lembro de ter cinco ou seis anos e já tentava digitar, jogar, fazer algumas coisas básicas. Meus irmãos compravam livros de cursos de hardware, de softwares de edição de imagem e editoração, então fui aprendendo e me apaixonando por aquele universo”, relembra. 

Com apenas 16 anos, Suellen concluiu os estudos em uma escola pública em São Paulo e partiu para um curso técnico em multimídia. Enquanto se decidia entre cursos como Letras, Jornalismo e Publicidade e Propaganda, onde finalmente se encontrou, foi atendente em uma lanchonete e também professora de inglês.

Ela conta que, mesmo com a tecnologia fazendo parte de sua vida desde a infância, sentia dificuldade de entrar na área, entre outros fatores, pela falta de referência da atuação de mulheres. Suellen faz questão de ressaltar que juntar-se ao time da Wildlife proporcionou um grande crescimento em todos os sentidos.

Os jogos também faziam parte do pacote de interesses que acompanham Sue desde pequenininha. Não por acaso, ela afirma que poder trabalhar com isso hoje é uma de suas maiores conquistas.

Era algo que sempre sonhei, como também sonhava em morar fora do Brasil, poder conhecer outros países. Então, a Wildlife me permitiu realizar sonhos muito próprios.

 

UMA VERDADEIRA CONQUISTA: CHEGAR AO MUNDO DA TECNOLOGIA

Quando chegou à Wildlife, ainda sem conhecimento de customer experience, Sue conta que teve a sorte de cruzar com pessoas incríveis, que a ajudaram a entender o que era e como fazer o trabalho da melhor forma possível.

“Minha primeira mentora, Hanna Kim, teve um grande papel em direcionar minha carreira. Ela me ajudou a entender que, além de gostar de tecnologia, gosto de ajudar outras pessoas. Isso me fez ver o que me faz bem, como posso estar mais perto do meu propósito”.

Na função de Product Specialist em Player Support, o trabalho de Sue é cuidar do jogo depois que ele entrou em produção e já está disponível para os jogadores. Ela mantém contato direto com o time de desenvolvimento para melhorar a experiência do usuário e também é responsável por criar políticas de compensação para auxiliar jogadores que têm algum problema com o app.

DO BRASIL PARA A IRLANDA: OS DESAFIOS DESSA JORNADA

No início de 2019, a vaga no time de Player Support na Irlanda ainda era um rumor, mas Sue logo tomou a decisão de que iria, caso se concretizasse. “Foi uma situação delicada, porque tive de conversar sobre com minha mãe, que sempre foi super protetora. Além disso, tenho ansiedade, então me imaginar em outro país, sozinha, era inimaginável três anos atrás”, revela. Ao mesmo tempo, todos os gestores que atuaram também como seus mentores fizeram tudo que estava ao alcance para ajudá-la a chegar a realizar seu sonho internacional.

Até que a proposta de mudar de país veio faltando apenas três meses para a viagem. Suellen então fez o que considera uma das coisas mais loucas da sua vida: encerrou uma vida no Brasil para começar de novo em outro lugar.

A adaptação foi difícil, é uma cultura bem diferente e eu saí da casa dos meus pais para entrar de vez na vida adulta. Além disso, mesmo sendo a mesma empresa, era como se estivesse começando do zero.

A especialista conta que precisava encontrar um meio termo entre o seu jeito de trabalhar e o dos novos colegas, além de precisar conquistar a confiança das pessoas com relação à sua capacidade. Um ano depois, ela conta que já se sente em casa e que os  amigos que fez na Wildlife são com sua família irlandesa, que a acolheram super bem no meio desse grande desafio. 

 

 

QUEBRANDO BARREIRAS INVISÍVEIS

Quem escuta uma trajetória como essa, que transmite tanta garra e determinação, não poderia imaginar que a personagem principal vive às voltas com a chamada “Síndrome do Impostor” - aquela sensação de ser uma farsa, sempre prestes a ser desmascarada, que costuma afetar bastante as mulheres no ambiente de trabalho. 

“É uma questão que trabalhamos bastante no Women++, porque está sempre ali, por mais que a profissional tenha experiência, que tenha estudado e saiba o que está fazendo”, conta.

Sue descreve o processo como a sensação de vai engasgar durante uma reunião, atormentada por uma vozinha interior que invalida o seu conhecimento. Para ela, a melhor forma de lidar com isso é aceitar suas próprias inseguranças e fazer o possível para superá-las.

“É respirar fundo, compreender que aquilo é o melhor que posso fazer no momento, me acolher e aceitar com humildade, caso haja algum feedback negativo”. Inclusive, ela ressalta que a cultura da Wildlife é pautada por feedbacks honestos e que auxiliam de modo concreto o desenvolvimento das habilidades.

Às vezes uma pessoa até pode estar segura de si e errar. O importante é continuar aprendendo, com a certeza de que ninguém é perfeito, portanto sempre há algo novo a descobrir.

No que diz respeito à presença de mulheres na empresa, Sue conta que apesar de ter mentoras, como a Hannah Kim e a Camila Scatolini, que lhe apresentou uma perspectiva sobre a carreira de gestão, ainda sente falta de uma maior representatividade.

Para ela, não se reconhecer no ambiente de reuniões reforça inseguranças ao se posicionar. “Às vezes procuro amenizar o que digo quando preciso fazer alguma colocação difícil, enquanto, percebo que um homem não precisa desse filtro”, exemplifica. 

Por outro lado, ela reconhece que iniciativas como o Women++ ajudam as profissionais a dialogar sobre as situações que enfrentam, para traçar estratégias a serem implantadas como parte da política de atração e retenção de talentos.

“A empresa está cada vez mais dando suporte para sairmos da disparidade e hoje já temos várias mulheres na engenharia e na gestão. Essas iniciativas já são um grande passo”, observa.

O FUTURO É DIVERSO

O mesmo ocorre no que diz respeito ao recorte racial, que também faz parte das ações que buscam contornar questões de estrutura social para promover uma maior diversidade nos times.

Cresci ouvindo que não era negra, então não me entendia como parte desse grupo, mas passei por várias situações limitantes. Inclusive ao chegar na Irlanda, quando fui submetida a uma checagem super rigorosa da imigração.

Para ela, é importante abrir a cabeça e as portas para receber mais pessoas de diferentes origens, uma vez que a diversidade é importante para a criatividade e para o crescimento da empresa.

Do seu ponto de vista, isso inclui o incentivo à contratação e desenvolvimento de profissionais que têm menor formação e experiência, em virtude de sua situação sócio-econômica, mas que apresentam alto potencial de desenvolvimento. 

Ainda que aberta à serendipidade, Suellen faz planos. “Quando penso no futuro, continuo me sentindo uma jovem indecisa, querendo experimentar muitas coisas, mas acredito em trabalhar para contribuir cada vez mais com experiências bem sucedidas. Por isso, quero estudar gerenciamento de pessoas aqui na Irlanda, para ajudar mais gente a trabalhar feliz”.

Ao mesmo tempo, ela não deixa de lado a importância de cuidar de si, para fortalecer sua própria confiança e seus pontos fortes, com autoconhecimento e foco em levar uma vida leve. 


Share